Há um tempo eu andei pensando e ainda discuti com um amigo a respeito. Porque será que durante a conquista, as pessoas são tão dóceis, são as melhores pessoas que podem ser até conquistarem a pessoa na qual estão interessadas?
Parece um jogo. O predador encontra a presa e vai traçar todos os caminhos com armadilhas para seduzi-la até o ponto onde ele possa devorá-la e assim suprir sua necessidade de caça, de predador. E a presa, sente-se a vontade em brincar de traçar o caminho e prender-se em todas as armadilhas criadas por ele, é um jogo interessante, a presa se sente importante diante de tantas caças ela foi a escolhida. Irônico, mas vejo dessa forma.
Ainda não obtive resposta e sinceramente isso me frustra.
Não entendo, penso, penso e penso e não entendo. Você encontra a pessoa ideal e dedica-se a ela o quanto você pode, se transforma da criatura mais linda desse Universo apenas pelo prazer de encantar a pessoa-alvo. E então BOM! Seus planos deram certo, ai voce se sente o vencedor, a pessoa mais incrível do Universo porque sim, voce a quer, voce a deseja (como um objeto, pff) voce quer mais que qualquer coisa ser a pessoa perfeita, ideal para ela. Sim é o que voce quer, voce quer suprir todas as necessidades dela, faze-la feliz (embora eu nao afirme isso com tanta devoção mas é o que parece que se quer.). Mas espera. A "pessoa ideal" que você se tornou, dá-se por conta de querer encantar a pessoa-alvo? Bem, muitas vezes cegamente nós fazemos isso. Mas muitas vezes acontece que não, a pessoa-alvo faz de voce o herói e então temos um papel reverso.
Pois bem, no primeiro mês pós-conquista. Predador e presa estão felizes. Um vive para o outro, dedica-se ao outro e ambos são até arrisco dizer que felizes, vivem momentos felizes e intensos, unicos para eles. É tudo lindo... realmente lindo. O casal tira fotos, as ligações são constantes, as mensagens, o pensamento. É incontrolável o desejo de querer estar perto, estar junto. Torna-se uma necessidade estar presente e compartilhar do oxigênio alheio.
No segundo mês pós-conquista, as coisas tornam-se mais habituais. Ambos estão felizes, ambos continuam a dedicar-se e querer um ao outro. Porém as ligações, as mensagens, os pensamentos tornam-se menos frequentes. Os encontros, e o desejo de estar perto já começam a perecer. Eu já tenho. O pensamento de posse, a certeza da conquista é algo que me entristece profundamente... É como imaginar que aquela pessoa que por um tempo tornou-se o mundo pra voce tenha de repente perdido o brilho, ou pelo menos esteja perdendo o brilho de forma que voce não se importa ou sequer percebe que está acontecendo. "Eu tenho certeza de que esta pessoa me quer, se dedica a mim e me ama, porque eu devo esforçar-me em manter esse elo? Ele já existe, afinal." Sinto muito, caros leitores e leitoras, é assim que a coisa se parece para mim. E é isso sim que me entristece.
No terceiro mês tudo já é cômodo para ambas as partes. "Estamos felizes assim". Pensamento errôneo de mentes acomodadas. Não têm mais ligações, apenas quando realmente necessário. Não tem mais mensagens de Bom dia, ou Boa noite, ou até mesmo "Estou com saudade." Torna-se desnecessário querer conquistar o que se tem. "É claro, oras, se já tenho, porque querer conquistar novamente? Não é possível afinal, conquistar o que já se tem." Errado, errado e errado. Está tudo... errado.
Não trata-se de "um objeto conquistado" mas sim de "alguem". Não é porque voce já tem que voce precisa conformar-se. É tão ridículo, tão irônico e insensível que me aborrece, me entristece e muito. Trata-se de alguém.... de alguém. Um ser com sentimentos e necessidades, necessidades que ilusóriamente foram depositadas em uma pessoa que em algum momento comprometeu-se a supri-las.
Sim, pessoas se importam e muito. Sim faz falta as ligações, faz falta as mensagens, faz falta ouvir que sente saudade. Sempre vai fazer. É como provar diariamente de 50 gramas de chocolate e de repente ter que consumir 5 gramas e ainda acreditar que é feliz assim. O doce é o mesmo, mas a quantidade é significativa.
Não trata-se de um troféu, não, não aceite e não queira ser o troféu de alguém. Lembre-se: troféus são itens de exposição apenas. Esquecidos, deixados a enfeitar estantes de seu conquistador. São memórias. São um pedaço de boa lembrança apenas e nada mais.
Trata-se de alguém, que precisa sentir-se conquistado. E por vezes as pessoas esquecem-se disso.
Dai então, nos deparamos com o alguém conquistado. Temos o outro lado da história. Não é culpa apenas do conquistador o desencanto. As vezes aquele que foi conquistado esquece-se de continuar a manter-se aquele que precisa ser conquistado. Acostuma-se de fato, que já foi conquistado e por este motivo quem deve tratar de conquistá-lo é apenas o conquistador. Irônico não? Mas também acontece.
Não seja um troféu, não seja um título. Conquiste, busque a necessidade de desvendar aquilo que um dia foi um mistério pra voce. Sinta a necessidade de ser conquistado, faça-se conquistar-se novamente, hoje e sempre. Não trata-se de um relacionamento amoroso, mas além dele, um relacionamento também entre amigos.
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